A história de Israel e Judá aponta uma verdade ensinada claramente por toda História, isto é, que as massas são ou logo serão aquilo que seus líderes forem. Os reis estabelecem a moral para o povo.
O público jamais tem capacidade de agir em massa. Sem
um líder ele fica acéfalo e um corpo sem cabeça não tem poder. Alguém precisa
sempre liderar. Nem mesmo a multidão empenhada em saquear e destruir é tão
desorganizada quanto parece. Em algum ponto. por trás de toda violência, existe
um líder cujas idéias ela está pondo em prática.
Israel rebelou-se algumas vezes contra os seus
líderes, mas as rebeliões não foram espontâneas. O povo simplesmente voltou-se
para um novo líder e seguiu-o. O ponto está em que eles sempre precisaram de um
líder.
O povo em breve seguia a liderança do rei, qualquer
que fosse o seu caráter. Eles seguiram Davi na adoração a Jeová, Salomão na
construção do Templo, Jeroboão que fez o bezerro e Ezequias na restauração do
culto no templo.
Não é um elogio feito às massas o fato de serem tão
facilmente levadas, mas não estamos interessados em louvar ou acusar; nossa
preocupação é com a verdade, e a verdade é que as pessoas religiosas seguem os
líderes, quer eles sejam bons ou maus. Um homem bom pode transformar
o caráter geral
de todo um
país, enquanto um clero corrupto e mundano pode levar o
país à escravidão. O provérbio às avessas: "Tal sacerdote, tal
povo", resume em quatro palavras uma verdade ensinada claramente nas
Escrituras e demonstrada repetidamente na história da religião.
O cristianismo no mundo ocidental de nossos dias é
aquilo que seus líderes foram no passado recente e está se tornando aquilo que
seus líderes atuais são. A igreja local logo se assemelha ao seu pastor, e
isto é verdade mesmo naqueles grupos que não crêem nos pastores. O verdadeiro
pastor de tal grupo não é difícil de ser identificado, geralmente é aquele que
apresenta o argumento mais forte contra qualquer igreja que lenha um pastor. O
líder opinoso da igreja local que tem êxito em influenciar o rebanho mediante
ensino bíblico ou palestras improvisadas nas reuniões públicas e realmente o
pastor, não importa quão sinceramente negue isso.
As péssimas condições das igrejas modernas podem ser
traçadas diretamente aos seus dirigentes. Quando, como às vezes acontece, os
membros de uma igreja local se amotinam e despedem o pastor por pregar a
verdade, mesmo assim estão seguindo um líder. Por trás dessa atitude é certo
que se encontra um diácono ou presbítero carnal (e geralmente abastado) que
usurpa o direito de decidir quem deve ser o pastor e o que ele deve dizer duas
vezes cada domingo. Em tais casos o pastor fica incapacitado para guiar o
rebanho. Ele simplesmente trabalha para
o líder. Uma situação deveras penosa.
Certos fatores contribuem para uma liderança
espiritual defeituosa, tais como:
1.
Medo. O desejo de ser amado e admirado é forte até mesmo
entre o clero. Portanto, em lugar de contrariar a opinião pública, o pastor
sente-se tentado a manter-se inativo e apenas sorrir amável mente para as
pessoas, "O temor do homem se transforma em armadilha", diz o
Espírito Santo, e isso fica demonstrado no ministério mais do que em qualquer
outro setor.
2. As dificuldades financeiras. O ministro protestante quase nunca é bem pago e a família
do pastor geralmente é grande. Combine esses dois fatos e você tem uma
situação ideal para criar problemas e tentações ao homem de Deus. A tendência
da congregação de suspender as ofertas quando o pregador toca em seus pontos
fracos é bem conhecida. O pastor vive no geral de ano para ano, quase
não conseguindo saldar seus compromissos mensais. Proporcionar à igreja uma
liderança moral vigorosa representa quase um convite aos problemas financeiros
e o pastor então a retém. O mal é que a liderança retida transforma-se de
fato numa espécie de liderança ao inverso. O homem que não leva suas
ovelhas montanha acima, as faz descer sem que o saiba.
5. Ambição. Quando Cristo não é tudo em todos
para o ministro, este é tentado a abrir caminho para si mesmo, e agradar a multidão
é um meio já provado de subir nos círculos da igreja. Em vez de guiar os fiéis
para onde devem ir, ele habilmente os
leva aonde sabe que eles querem ir. Ele aparenta então ser um líder
ousado. mas evita ofender quem quer que seja, assegurando assim um cargo
privilegiado quando a igreja grande ou a posição mais elevada se oferecerem.
4.
Orgulho
intelectual. Os círculos religiosos
infelizmente rendem culto à inteligência. Mas isto, em minha opinião, não
passa de puro estilo "rebelde". Do mesmo modo que o
"rebelde" apesar de seus fortes protestos de individualismo é um dos
conformistas mais servis, o jovem intelectual no púlpito treme em seus sapatos
brilhantes com medo de dizer algo banal ou comum. Os fiéis esperam que ele os
leve às verdes pastagens, mas em vez disso ele os guia em direção ao deserto.
5.
Ausência de
verdadeira experiência espiritual. Ninguém
pode levar outros para além do ponto em que ele mesmo já chegou. Isto explica a
falha na liderança de muitos ministros. Eles simplesmente não sabem para onde
ir.
6.
Preparo
insuficiente. As igrejas estão cheias de
amadores religiosos, culturalmente desclassificados para servirem no altar, e
o povo sofre as conseqüências disso, As ovelhas são desviadas sem se
aperceberem do que está acontecendo.
As recompensas da liderança santa são tão grandes e
as responsabilidades do líder tão pesadas que ninguém pode deixar de levar a
sério esse assunto.
A.W. Tozer
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